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     Para milhões (ou bilhões, talvez) de pessoas, ficar frente a frente com o animal mais temido do planeta é motivo de pânico. A razão para tanto medo não pode ser explicada com números, já que tubarões matam muito menos que abelhas, elefantes, hipopótamos, cachorros e diversos outros animais. Em 2007, por exemplo, ocorreu apenas uma morte causada por tubarões em todo o mundo, mas a imagem de “monstros comedores de gente” continua forte, alimentada não só pela parte sensacionalista da mídia, consciente que tubarões possuem forte apelo junto ao público, como também pela imaginação popular. Por outro lado, nos últimos anos muitas reportagens foram feitas mostrando a realidade da relação entre humanos e tubarões, ajudando a mostrar a verdadeira situação desses animais, que de tão ameaçados pela pesca indiscriminada poderão, em breve, ficar à beira da extinção.

     No Oceano Atlântico a sobrepesca já diminuiu os estoques das espécies de grandes tubarões (branco, cabeça-chata, martelo e fidalgo) em 99%, e por serem animais de topo da cadeia alimentar essa enorme diminuição vem causando um desequilíbrio preocupante. Com a ausência de seus predadores, as arraias têm se multiplicado excessivamente, gerando impacto sobre as espécies das quais se alimentam, como camarões, caranguejos e vieiras (Myers et al., 2007). Esse exemplo vem da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, mas se forem feitos estudos em outras regiões, com certeza os dados também serão alarmantes, já que a sobrepesca ocorre em todos os oceanos.

     Para grande parte dos mergulhadores, encontrar um tubarão (sob a água, não sobre o prato) costuma ser motivo de alegria, pois ter o privilégio de observar um animal tão belo em seu habitat é uma experiência inesquecível! Conseqüentemente, esse fascínio que os tubarões exercem sobre os mergulhadores foi logo percebido pela indústria do mergulho, que passou a promover o encontro sem ser através dos vidros de enormes aquários. Mas como garantir aos clientes que eles encontrarão tubarões? Simples, jogando na água restos de peixe e sangue, muito sangue, atraindo-os até onde os mergulhadores estão. Com os bichões em volta do barco, a diversão já está garantida, mas será que é seguro entrar na água após estimulá-los a comer? O baixíssimo índice de acidentes durante os shark feedings (mergulhos com alimentação de tubarões) mostra que sim, é seguro.

     Vale dizer que esse tipo de mergulho, além de alimentar os tubarões, também alimenta uma grande polêmica, já que muitos biólogos afirmam que oferecer alimento aos tubarões com pessoas ao redor faz com que associem a presença humana à comida, podendo causar acidentes, além de alterar o comportamento natural de caça desses animais. Por outro lado, fazer com que pessoas fiquem próximas de criaturas tão temidas e voltem sem nenhum arranhão ajuda a derrubar o mito da ferocidade.

     O shark feeding acontece em diversos pontos do mundo, cada qual com suas espécies e regras de segurança. As fotos abaixo mostram o andamento de uma operação de mergulho na costa nordeste da Austrália.

 

Tubarões se aproximam da embarcação por sentirem cheiro de sangue na água

Tubarões se aproximam da embarcação por sentirem cheiro de sangue na água

Mordendo uma cabeça de atum que está amarrada ao barco

Mordendo uma cabeça de atum que está amarrada ao barco

Durante o mergulho os tubarões passam em volta...

Durante o mergulho os tubarões passam em volta…

E por cima, mas sem incomodar os mergulhadores

E por cima, mas sem incomodar os mergulhadores

O peixe congelado fica protegido dentro do balde de aço

O peixe congelado fica protegido dentro do balde de aço

Quando o balde é aberto eles disputam o

Quando o balde é aberto eles disputam o “picolé” de peixes

E quando acaba o peixe, se dispersam

E quando acaba o peixe, se dispersam

Após o mergulho, quase de noite, ainda restava um tubarão brigando pela cabeça de atum

Após o mergulho, quase de noite, ainda restava um tubarão brigando pela cabeça de atum