Logo Petar Caboclos

     O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira foi criado em 1958 para proteger uma das regiões com o maior número de cavernas do Brasil. Localizado no sul do Estado de São Paulo, o Parque tem área de 35.712 hectares, mas como em seu entorno existem outras áreas de preservação, há uma área total de 200.000 hectares de mata atlântica relativamente bem protegida, permitindo a existência de animais que necessitam de grandes extensões de mata contínua para sobreviver, como a onça-pintada e o mono-carvoeiro, e de plantas que estão desaparecendo das áreas não protegidas, como o palmito-juçara.

     Animais raros, belíssima e preservada mata, rios de água cristalina, cachoeiras, mirantes… São muitos os motivos para conhecer o Petar, mas o maior deles é sem dúvida as mais de 250 cavernas já catalogadas, desde pequenas cavidades até cavernas com quilômetros de extensão.

     A razão para tantas cavernas se explica pela extensa área de rochas calcárias, que são corroídas pela ação da água com alto grau de acidez proveniente do dióxido de carbono encontrado não só na atmosfera como também na decomposição de matéria orgânica. Por ser uma região com alto índice pluviométrico e mata densa, a corrosão da rocha calcária ocorre de forma mais rápida que em regiões mais secas, como o nordeste brasileiro, por exemplo.

Mata Atlântica

Mata Atlântica

Paredão de calcário

Paredão de calcário

     Ao contrário do que imagina quem não conhece o Petar, não é tão comum encontrar morcegos nas cavernas, o que não significa que sejam desabitadas. Alguns dos animais mais vistos são as pererecas, aranhas e opiliões, que se parecem com aranhas mas não oferecem perigo. Em alguns rios há o bagre-cego, que por viver em áreas totalmente escuras não possui pigmentação nem olhos.

Opilião

Opilião

Perereca

Perereca

Perereca

Perereca

Cobra em decomposição

Cobra em decomposição

     Existem quatro núcleos de visitação pública: os núcleos Santana e Ouro Grosso localizam-se no Vale do Rio Betari, próximos a Iporanga, que possui boa infra-estrutura turística. O núcleo Casa de Pedra era utilizado para visitação da caverna de mesmo nome, mas que atualmente está fechada para o turismo, sendo permitida apenas a visitação de seu pórtico (“entrada” da caverna), um dos maiores do mundo. Já o núcleo Caboclos se encontra na área central do Parque e é o assunto deste artigo.

 

Núcleo Caboclos

     Localizado na parte alta do Petar, o mais antigo núcleo é também o que possui menos estrutura turística. Há apenas uma área para montagem das barracas, tanques para lavagem de roupas e louças, sanitários e algumas casas para uso dos funcionários do parque e de pesquisadores. Há também dois chuveiros, mas como não há energia elétrica é preciso coragem para tomar banho no inverno, quando a temperatura do ar frequentemente fica abaixo dos 10 graus e a da água… Bom, a da água prefiro não medir pois a última gota de coragem poderia escorrer pelo ralo.

     Por outro lado, essa falta de estrutura tem feito bem à região, protegendo as cavernas do impacto da visitação em massa. Outro fator que afasta muitos turistas é que são poucas as cavernas próximas, a grande maioria requer um dia inteiro de caminhada, por vezes extenuantes para quem não tem bom preparo físico.

Área de camping

Área de camping

Sanitários, chuveiros com água do rio e tanques

Sanitários, chuveiros com água do rio e tanques

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Foto em 360 graus da área de camping do núcleo Caboclos

     A seguir faço um breve relato sobre as cavernas e demais atrativos de Caboclos, em ordem alfabética, sendo importante destacar que as trilhas não são demarcadas e há muitas bifurcações, fazendo com que seja imprescindível a contratação de um monitor credenciado, pois além do risco de se perder é proibida a visitação sem a presença dos monitores. O telefone da Associação dos Monitores é (15) 3552-1717.

 

Cavernas

 

Aranhas

     Seguindo a trilha que se inicia na área de camping, após 5  minutos se chega à Caverna Aranhas. Nessa caverna você verá muitos opiliões, alguns espeleotemas e um belo visual do rio que corta a caverna.   

Início da gruta das Aranhas

Início da gruta das Aranhas

  

Arataca

Caverna pouco ornamentada, é possível descer de rapel por uma de suas bocas. São 4 horas de caminhada (ida e volta) e fica a meio caminho para a Casa de Pedra.

Arataca

Arataca

 

Chapéu

     Última e melhor atração da trilha que parte do camping, possui diversos salões e alguns belos espeleotemas, como um pequeno buraco rente ao chão decorado com travertinos e o Cogumelo Gigante. 

Cogumelo Gigante

Cogumelo Gigante

    

Chapéu Mirim I e II

     Essas duas pequenas cavernas não possuem grandes atrativos, mas estão tão próximas da área de camping que valem uma visita. Ficam logo no começo da trilha que leva para Aranhas e a Gruta do Chapéu.

Rapel na Chapéu Mirim I

Rapel na Chapéu Mirim I

      

Cristais

     Caverna pequena e próxima à área de camping, é cortada por um rio e, de maior interesse, possui apenas um pequeno salão após uma restrição, já que  o salão que deu nome à caverna está com sua entrada desmoronada, impedindo o acesso.

Cristais

Cristais

Restrição na Cristais

Restrição na Cristais

 

Desmoronada

     Na mesma trilha que leva para a Pescaria, é só andar mais 15 ou 20 minutos para chegar na Desmoronada. Torça para ter sol quando estiver nessa caverna, já que os raios de luz entrando por uma das bocas formam um visual belíssimo! Para ter referência do tamanho deste salão, procure um pequeno ponto laranja do meio pro lado esquerdo da foto, na parte de baixo, à direita da coluna. Esse ponto laranja é o capacete de uma pessoa!

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Foto em 360 graus do Salão dos Canudos

Desmoronada

Desmoronada

 

Espírito Santo

     A boca dessa caverna fica quase na estrada, portanto não exige nenhum condicionamento físico de quem a visita. Logo na entrada é preciso rastejar para chegar no salão principal, onde se vê estalactites, estalagmites, travertinos, uma elegmite e, o mais interessante, um fóssil.

Fóssil

Fóssil

 

Furo da Agulha

     Caverna descoberta apenas em 2006, tem visitação restrita e fica a 3 horas de caminhada (ida e volta), passando por apenas um grande desnível. O nome foi dado pois sua boca é bastante apertada, mas após esse difícil trecho surgem salões bem decorados e, felizmente, totalmente conservados.

Primeira restrição do Furo da Agulha

Primeira restrição do Furo da Agulha

Pequena cachoeira e estalactites

Pequena cachoeira e estalactites

Salão com muitos canudos e estalactites

Salão com muitos canudos e estalactites

Cortinas

Cortinas

 

Cortinas e estalactites

Cortinas e estalactites

Electite com 20 cm de altura

Electite com 20 cm de altura

 

Monjolinho

     São mais 20 minutos de caminhada depois da Arataca, (4:40 ida e volta) também é uma caverna com poucos ornamentos, mas mais bonita que sua vizinha. É preciso ter muito cuidado pois são vários os abismos por toda a caverna.

Gigante da Monjolinho

Gigante da Monjolinho

Na foto aparece apenas a metade do abismo

Na foto aparece apenas a metade do abismo

 

Pescaria

     Caminhada bem cansativa  pois há um desnível de 400 metros para ser vencido em apenas 2 km, sendo que a trilha toda leva em torno de 5 horas para ser percorrida (ida e volta). Caverna longa com algumas belas formações e que em boa parte é preciso andar pelo rio.

Cortinas e estalactites

Cortinas e estalactites

Coluna e travertinos

Coluna e travertinos

 

Temimina

     São 4 horas de caminhada (ida e volta) em ritmo bom, com apenas um grande desnível já na chegada à caverna. Como ela é cortada pelo Rio Temimina, prepare-se para se molhar um pouco. Possui salões amplos e belos espeleotemas, como mostram as fotos abaixo.

Travertinos e coluna

Travertinos e coluna

Temimina

Temimina

Temimina

Temimina

Chuveiro

Chuveiro

Ninho de pérolas

Ninho de pérolas

Jardim Suspenso

Jardim Suspenso

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Foto em 360 graus do Jardim Suspenso

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Foto em 360 graus da entrada da caverna Temimina