Os mais belos trekkings da Patagônia

O projeto Os Mais Belos Trekkings da Patagônia vai documentar com fotos, vídeos em time-lapse e imagens em 360 graus os trekkings mais bonitos dos Andes Patagônicos, não só os já mundialmente famosos como também as trilhas menos conhecidas e mais selvagens. 

Vale dizer que quando escrevo sobre algum trekking, estou sempre me referindo à uma caminhada que exige pernoite durante o percurso. Também farei trilhas bate-volta mas essas serão publicadas apenas na internet, não fazendo parte do livro.

Esse projeto começou a tomar forma depois de uma viagem para Torres del Paine, no Chile. Completamente fascinado pela região, logo passei a pesquisar quais são as trilhas mais bonitas e percebi que não há um consenso entre as revistas e sites especializados, exceto por Torres del Paine e El Chaltén, os pontos mais famosos de Chile e Argentina. Essa discordância acontece não apenas por diferenças de gosto mas, principalmente, porque pouquíssimas pessoas conhecem a fundo toda a Patagônia. Como a lista só crescia, decidi percorrer todos os trekkings tidos como os mais bonitos por diferentes publicações para poder escolher de acordo com minha própria opinião.

Algumas trilhas já estão definidas e outras serão pesquisadas durante a viagem, avaliando o entorno e conversando com os montanhistas locais.

Até o momento, os trekkings já definidos são:

  • Circuito do Parque Nacional Los Glaciares (El Chaltén, Argentina);
  • Circuito O em Torres del Paine (Chile);
  • Circuito Dientes de Navarino (Chile);
  • Circuito em El Bolsón (Argentina);
  • Travessia do Parque Nacional Cerro Castillo (Chile);
  • Travessia do Parque Nacional Nahuel Huapi (Bariloche, Argentina);
  • Travessia do Parque Nacional Villarrica (Chile).

Além desses sete circuitos e travessias citadas acima, tenho uma grande lista de trekkings e trilhas bate-volta para pesquisar durante a viagem e avaliar quais serão percorridos, além de muitos atrativos ao longo da Ruta 40 e Carretera Austral, as estradas mais bonitas do Chile e da Argentina.

A viagem terá início no dia 01 de outubro de 2019 e terminará provavelmente em março de 2020. Apesar do objetivo principal da viagem ser a documentação dos trekkings, os deslocamentos serão feitos de carro para poder levar equipamentos fotográficos diversos, assim como equipamentos de montanhismo e trekking voltados para diferentes climas, além de um bom (e grande) notebook para edição das imagens. E também porque eu gosto da liberdade de ir para onde quiser, a hora que quiser, parando onde me der vontade, o que eu não poderia fazer se fosse de avião e ônibus. O carro usado será um Jimny, que é um pequeno 4×4 da Suzuki, assim poderei ir para caminhos fora-da-estrada, procurando paisagens ainda mais bonitas que as que terei na Ruta 40 e  Carretera Austral, as estradas mais bonitas da Argentina e Chile.

Ao final dessa longa viagem será publicado um livro de fotos com os trekkings mais bonitos, incluindo textos contando a história desse projeto e as características de cada trekking. Também será criado um Tour Virtual com as imagens em 360 graus e dicas para quem quiser percorrer as trilhas, servindo como um portal de auxílio às pessoas que pretendam viajar para a Patagônia.

 À medida que as trilhas forem percorridas, marcarei no mapa e publicarei um artigo abaixo dele.

Bariloche

Los Alerces

El Chaltén

Glaciar Perito Moreno

Puerto Natales

22/10/2019 a 24/10/2019 - Puerto Natales (Chile)

Puerto Natales é uma pequena cidade à beira mar, apesar que o golfo Almirante Montt mais parece um grande lago, por ser cercado de montanhas nevadas. Quem vem a Natales quase sempre tem como destino o Parque Nacional Torres del Paine, enquanto que eu vim pra poder trocar o vidro quebrado do meu Jimny e, pra minha alegria, quando cheguei na cidade o vidro também já havia chegado, só que ele veio de ônibus desde Punta Arenas, evitando que eu tivesse que dirigir ainda mais longe.

Golfo Almirante Montt

O serviço não poderia ter sido mais porco, já que riscaram a lataria em vários pontos, acho que até o ladrão foi mais cuidadoso que o tal “profissional” da loja Solovidrios, mas eu nem me preocupei em reclamar porque não resolveria nada e também porque não ligo se a lataria tem mais uns riscos, importante é a mecânica estar em bom estado.

Pôr do sol em Puerto Natales

Pôr do sol em Puerto Natales

Pôr do sol em Puerto Natales

Aproveitei os dias na cidade pra editar fotos e ver os protestos que estão sacudindo o Chile, mas que aqui são pacíficos, inclusive com crianças e idosos participando das passeatas, nada como em Santiago ou em outras grandes cidades chilenas.

Plaza de Armas Arturo Prat

Protesto começou com música e depois teve uma tranquila passeata pela cidade, sob o olhar curioso dos turistas

Depois de tudo pronto eu tinha 8 dias livres antes da reserva pra fazer o circuito de trekking em Torres del Paine, então decidi ir antes pra conhecer e fotografar outras áreas do parque, mas isso é assunto para a próxima postagem.

20 e 21/10/2019 - El Chaltén (pela segunda vez)

De volta a Chaltén, com o tempo um pouco melhor, resolvi completar o circuito que havia feito há alguns dias. Agora faltava fazer a trilha até a Pedra do Fraile e depois seguir para o mirante do Glaciar Piedras Blancas até chegar no ponto que já havia caminhado.

Equipamentos prontos, café da manhã finalizado, entrei no carro pra ir até o início da trilha e encontro o vidro lateral traseiro quebrado. Consegue imaginar minha surpresa e decepção? Primeiro pensei que poderia ter sido o vento, ou a diferença térmica, ou que algum desastrado bateu sem querer, mas ao ver que outro carro também teve o vidro quebrado, percebi que foi mesmo coisa de um ladrãozinho incapaz até de arrancar um vidro quebrado. Em uma cidade em que as casas e comércios não tem cercas nem portões, tinha que começar a acontecer isso justamente agora e comigo?

Enfim, hora de fazer B.O. e sair em busca de um novo vidro, mas no sul da Patagônia isso pode ser um desafio, ainda mais porque tenho um Suzuki Jimny e não existe Suzuki na Argentina. Depois de dois dias consegui que enviassem um vidro pra Puerto Natales, uma cidade no Chile que fica a umas 6 horas de Chaltén e é pra lá que eu vou, mesmo com protestos por todo país.

17/10/2019 a 19/10/2019 - Glaciar Perito Moreno e El Calafate (Argentina)

Eu ainda tinha muitas trilhas pra fazer em El Chaltén, mas como a previsão do tempo estava ruim para os próximos 3 dias, resolvi ir pra El Calafate, assim durante os dias nublados eu faria as fotos de alguns hotéis e, quando melhorasse, conheceria o tão famoso Glaciar Perito Moreno.

A estrada entre Chaltén e Calafate não tem muitas vistas bonitas, só quando ela se aproximou do Lago Argentino que tive motivo pra parar e fotografar um pouco.

O Lago Argentino é o maior lago que está integralmente dentro da Argentina, já que o Lago Buenos Aires tem parte de sua área no Chile

Calafate é uma cidade que, assim como Chaltén, sobrevive do turismo. Calafate é maior, tem mais opções de serviços mas, ao contrário de Chaltén, não é charmosa, apesar de ser bonita e organizada. Enfim, é uma boa base para os passeios pro glaciar, que podem ser feitos apenas com uma caminhada pelas passarelas, com passeios de barco ou com um trekking sobre o glaciar.

A geleira tem 5 km de frente, quase sempre em contato com o lago, apenas um pequeno trecho está avançando sobre terra

A altura da geleira no ponto onde se encontra com o lago fica entre 60 e 75 metros

Face sul do Perito Moreno

Como Calafate não tem travessias de trekking e, portanto, não faz parte do meu projeto, resolvi entrar no modo turista preguiçoso e apenas passei uma ou duas horas andando pelas passarelas, que oferecem vistas impressionantes para uma das maiores geleiras do mundo.

Fiquei apenas umas duas horas nas passarelas, tempo suficiente pra percorrê-las com calma e fazer umas fotos de turista, já que essa geleira não faz parte do meu projeto.

Fotos para os hotéis prontas, geleira visitada, hora de voltar pra El Chaltén pra continuar com os circuitos de trekking.

10/10/2019 a 16/10/2019 - El Chaltén (Argentina)

A estrada pra El Chaltén teve diversos encontros com flamingos e guanacos

Há anos que eu estava curioso pra conhecer El Chaltén, uma charmosa vila que se autointitula como a capital do trekking da Argentina. Ainda antes de chegar na vila a vista para o maciço do Fitz Roy impressiona e faz com que o motorista divida sua atenção entre a estrada e as montanhas.

El Chaltén e o Fitz Roy vistos de um mirante ao lado da estrada

Ao chegar em Chaltén vem a boa sensação de estar em um local que vive do turismo mas que não perdeu sua alma por isso. Dá gosto passear pra conhecer seus bares, restaurantes e, como em toda pequena cidade da Patagônia, pra brincar com os muitos cachorros soltos pelas ruas. E foi o que eu fiz nos dois primeiros dias, enquanto esperava o tempo melhorar para poder fazer o primeiro circuito da minha lista.

Em Chaltén se pode fazer quase todas as trilhas no estilo bate-volta, pra quem quer ter o conforto de dormir na vila, mas eu não sou o maior fã de ir e voltar pelo mesmo caminho, então juntei diversas trilhas pra caminhar em um circuito de 4 dias, acampando pelo caminho. O outro circuito que quero fazer, em volta do Cerro Huemul, só pode ser feito com acampamentos, mas esse vai ficar pra depois, agora é a hora de conhecer o tão famoso Fitz Roy!

Não é raro avistar um pica-pau pelas trilhas da Patagônia

A previsão dizia que haveriam dois dias de muito sol e um terceiro dia com mudança de tempo à tarde, então resolvi retirar a primeira perna do circuito pra fazê-la depois, estando assim nos pontos mais importantes (Fitz Roy e Cerro Torre) nos dias com melhor luz pra fotografar. Já que haviam me falado que um remis (táxi com preço fixado antes da corrida) até o início da trilha sairia por 800 a 1000 pesos (60 a 75 reais), resolvi ir com uma van que cobra 400 pesos e sairia às 07:30, tendo como destino a Hostería El Pilar.

Eu preferiria ir antes, mas pela diferença de preço, sem problemas em perder meia hora. Aí vem a primeira dica: não peguem as vans, elas se atrasam pra chegar, daí se perde ainda mais tempo porque passam em outras pousadas e andam incrivelmente devagar na estrada de terra. E eu ali, olhando aquela luz incrível e pensando se chegaria em tempo de fotografar… Respira fundo, relaxa que não tem o que fazer e a previsão é boa pros outros dias também.

Outra coisa que eu não sabia é que a van faria paradas pelo caminho, dando tempo pra quem quer fazer selfies e ouvir chatices curiosidades sobre a região. Bom, já que não tinha jeito, também saí pra fotografar e foi quando vi que o polarizador estava errado, não tinha o mesmo tamanho da lente que uso pras trilhas. Epa, espera aí, o polarizador está certo, a lente é que está errada! Pois é, na noite anterior a lua estava tão linda que eu coloquei a teleobjetiva pra fotografá-la, voltei correndo pra pousada e me esqueci de recolocar a lente certa. Enfim, fico imaginando o que pensaram as pessoas que me viram olhando pra câmera e falando “MERDA MERDA MERDA” sei lá por quantas vezes.

Aqui a culpada por eu estar com a lente errada. Afinal, como já disse Homer Simpson, a culpa é minha e eu coloco em quem eu quiser

Avisei o motorista da van que eu voltaria andando e tentaria uma carona pelo caminho. Uns 5 minutos depois já apareceu uma picape vermelha, estiquei o dedão e, só por garantia, fiquei no meio da estrada, assim se ele não quisesse me dar carona, teria que me matar. Chegando em Chaltén, o chileno gente boa que estava dirigindo me falou que precisava virar à direita, então eu desci e saí andando rapidamente pra pousada, quando vi que o celular não estava no bolso. Imagine a cena de um sujeito com uma cargueira nas costas correndo atrás de uma picape vermelha… Eu sei, pode rir, agora eu também dou risada disso, mas na hora eu só conseguia pensar “parece a primeira vez que você faz trekking, que idiota!”.

Enfim, cheguei na pousada, troquei a lente, chamei um remis e daí soube que custaria 1.500 pesos! Até ontem estava entre 800 e 1.000, agora custa 1.500? Dei tchau e boa sorte pra taxista exploradora e resolvi fazer esse circuito por outra trilha, com início na própria cidade, já que eu não iria mesmo pra Pedra do Fraile. Irritado (comigo mesmo) até não poder mais, pensei “essa é a hora de usar os ensinamentos da meditação e yoga”, mas logo me lembrei que não consigo meditar e que só fiz 3 aulas de yoga, então resolvi andar até as coxas ficarem queimando, isso sim me acalma.

No final, quer saber? Mudar o ponto de início da caminhada foi a melhor decisão, já que a trilha que sai de Chaltén em direção ao Fitz Roy é linda demais, quase sempre com vista pra montanha, que vai crescendo a cada passo.

A trilha tem pouca elevação até chegar o último km, quando fica bem íngreme pra poder vencer um desnível de 500 metros. Enfim, a subida não é grande coisa pra quem tem costume de fazer trilhas, levando o trilheiro até a Laguna de los Tres, bem na frente do Fitz Roy, que se eleva por mais de 2 km acima da laguna, atingindo 3.350 metros de altitude.

As trilhas são bem marcadas e há pontes nos trechos com água

A dica número dois pra quem quer conhecer Chaltén é: vá no verão. Isso porque no inverno a Laguna de los Tres fica congelada e, se você não souber que ali tem um lago, vai achar que é uma planície na beira da montanha. Claro que é bonito, mas a vista que se tem no verão é ainda mais cativante, então eu voltarei em janeiro pra ter esse visual também.

Dica três é: durma no acampamento Poincenot e madrugue pra poder estar lá em cima logo cedo, vendo o sol pintar o Fitz Roy de laranja. É importante saber que o sol bate na montanha meia hora antes do horário em que ele nasce, de acordo com os aplicativos, que estão ajustados para quem está bem abaixo, lá na vila. Muita gente chegou no horário oficial que o sol nasce mas perdeu o melhor momento.

Em vez de acordar pra ver o sol nascer, resolvi ir durante a noite pra poder fotografar sob a luz da lua cheia. Não vou dizer que é agradável sair da barraca no meio da noite e passar horas a 4 graus negativos, mas valeu cada segundo, foi bom demais estar na beira da laguna sozinho, com a lua iluminando as montanhas e sem ouvir qualquer barulho que não fosse da minha respiração.

Sem dúvida uma das noites mais bonitas que já tive nas montanhas

Me aquecendo um pouco antes do café-da-manhã

Junto com a luz foram chegando as pessoas e, depois de tomar café e me aquecer, era hora de seguir até o acampamento De Agostini, junto da Laguna Torre, que dá vista pro Cerro Torre. Dia de caminhada bem tranquila, já que o ganho de elevação é pequeno. Chegando no acampamento, montei a barraca e fui dar uma olhada na laguna, mas como a luz não estava boa, resolvi ficar na barraca e dormir bem cedo pra, mais uma vez, acordar de madrugada e aproveitar a luz da lua e o amanhecer.

Amanhecer com vista pra Laguna Torre e o Cerro Torre, considerada por muitos como umas das escaladas mais difíceis do mundo

Mais uma vez, aproveitando cada raio de sol pra espantar o frio

Depois de mais um café com vista panorâmica, desmontei acampamento e voltei pra El Chaltén com a certeza de que o título de capital argentina do trekking não é à toa.

07/10/2019 a 09/10/2019 - Parque Nacional Los Alerces (Argentina)

Chegando em Los Alerces pela portaria norte

Já que o clima me fez adiar a travessia que eu queria fazer em Bariloche, resolvi usar esses dias para ir ao Parque Nacional Los Alerces, que estava planejado para ser feito no fim da viagem, invertendo a sequência mas sem excluir nada. Bom, pensei que não fosse excluir, mas quando fui conversar com o guarda-parque, descobri que as trilhas que eu gostaria de fazer ainda estavam fechadas, apesar de já estarmos na primavera.

Praia em Punta Mattos, com acesso por boa estrada de terra

Lago Futalaufquen e a estrada que corta o parque de norte a sul

A princípio a frustração foi grande, mas a vista da estrada que corta o parque de norte a sul é tão bonita que até me fez gostar da ideia de ver lindas paisagens sem fazer esforço, e também porque há alguns mirantes e cachoeiras com acesso por caminhadas bem curtas.

Mirante para o Lago Verde (norte do parque) com acesso por trilha de aproximadamente 1,5 km (ida e volta)

Cachoeira Irigoyen, acessada por trilha ainda mais curta que a do Lago Verde

A estrada está asfaltada em quase todo o parque e mesmo os trechos de terra estão em bom estado. Dentro de Los Alerces há hotéis, pousadas, cabanas e campings e, no verão, há passeios de barco pelo lago Futalaufquen, que tem profundidade média de 150 metros e é muito procurado por pescadores de pesca com mosca.

Lago Futalaufquen

Praia Coyhue Viejo sob a luz do luar

Rio Arrayanes visto da passarela

Como não pude subir as montanhas, duas noites foram suficientes, mas no verão o ideal é passar ao menos 4 dias pra conhecer bem tanto as trilhas como os lagos. Já que no começo de outubro isso não é uma opção, hora de botar o jipinho na estrada e rumar para El Chaltén, a capital argentina do trekking!

Los Pozones, no extremo sul do Parque Nacional

Esse é um alerce, árvore que deu nome ao parque e que é considerada um dos seres vivos mais antigos da Terra. Esse tem idade aproximada de “apenas” 300 anos, mas o mais velho, que pode ser visto no verão pegando um passeio de barco, tem idade aproximada de 2.600 anos!

01/10/2019 a 04/10/2019 - De São Sebastião (Brasil) a Bariloche (Argentina)

Jimny na Rio-Santos, partindo de São Sebastião. Esse lugar vai me deixar com saudades!

Foram 4 dias dirigindo de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, até Bariloche, meu primeiro destino na Patagônia Argentina. A distância percorrida nesses 4 dias foi de 3.933 km em 49 horas e 35 minutos, sem contar as paradas pra abastecer o carro e o motorista.

Ao fim do primeiro dia, em torno das 22:00, quando eu estava cansado, vejo a placa “Preços especiais para viajantes” em um motel. Não tive dúvida, além de adorar preços especiais, é ótimo ter o carro bem perto quando ele está cheio de equipamentos.

Eu gosto de dirigir na estrada e de fazer longas viagens de carro, mas não dá pra dizer que esses dias foram divertidos porque os únicos trechos bonitos são os do início, bem perto da minha casa, na Rio-Santos, e no fim do quarto dia, rodando os últimos 200 km até chegar em Bariloche, quando começam os lagos e as lindas montanhas do Andes.

Um amigo que fiz nessa viagem e que já tentou entrar no carro

Durante esses quase 4 mil km teve muito sol no começo, depois veio muita chuva mas, felizmente, o único imprevisto aconteceu quando eu iria finalmente entrar na Patagônia, ao cruzar o Rio Colorado. No dia 03 eu decidi que iria dormir um pouco antes desse rio, assim eu o atravessaria logo cedo e chegaria em Bariloche ainda no meio da tarde, com tempo de ir ao Club Andino Bariloche pra pegar informações atualizadas sobre as trilhas.

Acordei no dia 04/10 com temperatura de apenas 2 graus e segui sem nem mesmo tomar café-da-manhã, faria isso um pouco mais tarde, mas depois de dirigir por uma hora e chegar na ponte, ela havia sido fechada pra recapearem o asfalto. Nenhum aviso na estrada, imaginem a frustração quando me falam “se tivesse chegado 10 minutos antes, teria passado”. Enfim, retornei e peguei uma estrada de rípio (terra com cascalho) por 80 km até chegar em outra estrada asfaltada e voltar a dirigir pro sul.

Na terceira noite, já na Argentina, dormi em outro motel, mas esse faz justiça ao nome original, que vem dos EUA e é a junção de hotel + motor, ou seja, o carro fica junto da porta do quarto

Devo ter perdido apenas uma hora e meia mas foi tempo suficiente pra não conseguir encontrar o Club Andino aberto, então relaxei e fui dirigindo bem tranquilo, parando em vários locais pra fotografar.

Represa Alicurá

Represa Alicurá

Rio Limay

Interessante é a diferença de fiscalização policial nas estradas argentinas e brasileiras. Enquanto que no Brasil eu não vi a polícia parando os carros em nenhum local, na Argentina, apenas no primeiro dia, vi 5 comandos. Em um deles eu fui parado e o policial pediu os documentos e também o extintor. Vendo que estava tudo correto, perguntou:
-Vem de onde?
-São Paulo (ele não saberia se eu falasse São Sebastião)
-Vai pra onde?
-Bariloche
-Sozinho? (olhando pro banco do passageiro atulhado de comidas, câmeras, etc)
-Sim.
-Cadê tua garota?
-Também quero saber.
-Ela está te esperando em Bariloche. (E aí começou a dar dicas de outros locais pra visitar pela Argentina)

Essa é minha segunda viagem de carro pela Argentina, já fui parado diversas vezes e os policiais sempre foram honestos e muito simpáticos, acabando com a má impressão que muitos brasileiros haviam me dado com histórias de corrupção e extorsão. Ainda vou dirigir por mais de 10 mil km na Argentina, espero continuar encontrando apenas policiais honestos e educados, mas se algo diferente acontecer, contarei a história por aqui. Agora é hora de aproveitar Bariloche e, assim que sobrar um tempo, escreverei sobre os dias nessa linda cidade!

05/10/2019 a 07/10/2019 - Bariloche (Argentina)

Bariloche e o lago Nahuel Huapi

Depois de 4 dias na estrada, dirigindo em média 12 horas por dia, foi um alívio chegar em Bariloche e ser muito bem recebido por Anibal e Andrea, os donos da Hostería La Pastorella, que me hospedaram como cortesia por três noites em sua acolhedora pousada, que é como chamaríamos uma hostería no Brasil.

Meu quarto na Hostería La Pastorella

No primeiro dia eu queria subir o Cerro Campanário, que tem uma das vistas mais bonitas de Bariloche, mas como estava nublado e ameaçando chover, desisti. Afinal, foto no Campanário com tempo fechado eu já fiz há alguns anos, quando estive pela primeira vez em Bariloche, com a minha (na época) namorada. Resolvi sair de carro apenas pra passear um pouco por umas estradas que eu não havia conhecido na minha viagem anterior.

Lago Nahuel Huapi visto do Circuito Chico, infelizmente em um dia cinzento

Cachoeiras no Arroyo Goye vistas da estrada

No fim do dia, como o tempo estava melhorando, resolvi subir de carro o Cerro Otto e depois fazer uma curta caminhada para ver o pôr-do-sol com vista para os lagos e o Cerro Catedral. Meu erro foi ter me esquecido que já estava na Patagônia e que iria esfriar muito, o que não demorou pra acontecer. Dois pares de luvas na mala e nenhum comigo, erro de principiante… Quando estava voltando pro carro, vi que o termômetro do GPS marcava 1 grau, sem contar o vento bem forte. Lição aprendida!

Pôr-do-sol visto do Cerro Otto

O segundo dia amanheceu como estava previsto, com chuva fraca mas constante, então aproveitei pra dormir bastante, editar as fotos e escrever um pouco. No fim do dia saí pra andar um pouco pelo centro e, de noite, pra jantar como cortesia no restaurante Familia de Caso. Não foi difícil escolher o que ira comer, afinal, estou na Argentina e tinha que provar uma boa carne.

Ojos de bife (também conhecido como bife ancho) delicioso no restaurante Familia de Caso

Na manhã do dia 07/10 eu tinha que pegar a estrada de novo mas, apesar de adorar Bariloche, não foi uma partida difícil, já que em mais ou menos dois meses, quando eu estiver voltando do sul da Patagônia, pararei em Bariloche por algumas semanas para fazer duas travessias no Parque Nacional.

Lago Gutiérrez e Parque Nacional Nahuel Huapi