Mergulhando com tubarões e baleias em Cabo Frio, RJ

A Região dos Lagos, no litoral norte do Rio de Janeiro, é reconhecida em todo o Brasil por ter excelentes pontos de mergulho, com muita vida marinha e ótima visibilidade. Apesar da fama já conquistada, fui contratado pela Alpha Dive Cabo Frio para passar 3 dias navegando pelas ilhas de Cabo Frio e Búzios em busca de pontos que atualmente não são visitados pelas operadoras. Prontamente aceitei a proposta feita pelo Alessandro Di Reda, um dos sócios da Alpha Dive, e partimos de Cabo Frio na tarde do dia 13 de março de 2019.

Na primeira tarde apenas navegamos em busca de pontos que pareciam promissores e curtimos um lindo pôr-do-sol sobre Cabo Frio

No segundo dia, quando estávamos navegando a 3 km da costa norte de Cabo Frio, quase na divisa com Búzios, vimos dezenas de atobás se lançando na água e o Cassiano, o outro sócio da Alpha Dive, cortou os motores para que eu pudesse fotografar esse frenesi alimentar. Mas por que fotografar de fora da água se eu sempre quis fazer uma foto subaquática de um atobá mergulhando? Fui para a água junto com o Alessandro, equipados apenas com máscara, snorkel e nadadeiras e eu, claro, com o equipamento de foto sub.

Atobás atacando um cardume de sardinhas

Entramos no meio de um cardume com milhares de sardinhas, que estavam sendo atacadas por xereletes e bonitos, além dos atobás. Apesar de ser divertido ver essa caça, eu não estava conseguindo a foto desejada pois os atobás não mergulhavam bem próximos de mim, mesmo quando eu estava a uns 5 metros de profundidade. Então resolvi descer para uns 10 metros e foi quando tive uma surpresa gigante (literalmente), já que a uns 20 metros de profundidade apareceu uma baleia-de-bryde!

Como a baleia passou a mais de 15 metros de mim e eu estava com uma lente ultra grande-angular, sabia que não teria como fotografá-la, então apenas fiquei ali, suspenso no azul, apreciando a raríssima chance de ver uma baleia nadando em busca de sua refeição. Como infelizmente eu não tenho o fôlego de uma baleia, voltei para a superfície, falei para o Alessandro o que havia visto e voltei a mergulhar, mas vi outra apenas na segunda ou terceira imersão e infelizmente mais distante que a primeira.

De qualquer forma, o alimento das baleias ainda estava por perto, então não havia motivo para elas irem embora e, enquanto eu recuperava o fôlego, tive outra grande surpresa ao ver um tubarão passar a uns 10 metros de profundidade. Afundei e comecei a nadar paralelamente a ele, me aproximando bem devagar, até que ele mudou de rumo e veio na minha direção, possivelmente por não ter gostado de me ter ao seu lado. Entendi o aviso, voltei para a superfície e ele continuou na direção anterior.

Tubarão se aproximando

Agora que você está achando que somos suicidas, vale lembrar que são raríssimos os ataques de tubarões contra humanos, ainda mais contra mergulhadores, mas como estávamos no meio de um frenesi alimentar, achamos por bem ficar de costas um para o outro, assim teríamos 360 graus de visão o tempo todo. Logo o Alessandro me deu um cutucão tão forte no rim que já virei com a certeza de ter algo bem interessante para fotografar, e tinha mesmo! Um tubarão estava nadando na nossa direção e tive tempo de fazer a foto abaixo antes dele perceber que somos humanos, não fazemos parte de sua cadeia alimentar e voltar sua atenção para os peixes. Por via das dúvidas, nessa hora o Raphael, tripulante da Alpha Dive, também estava na água e o chamamos para ficarmos todos juntos, mas ainda antes dele chegar, outro tubarão (ou seria o mesmo?) se aproximou e fugiu ao ficarmos de frente para ele.

Quando eu ficava de frente pros tubarões, eles mudavam de rota

Já mergulhei diversas vezes com tubarões, seja no Brasil, Havaí ou Austrália (clique aqui para ler o artigo sobre o mergulho com tubarões na Austrália), e decididamente esse não é o comportamento habitual deles, quando nem dão bola para os mergulhadores, então resolvemos ir nadando de volta para o barco, cada um olhando para um lado. Quando havíamos nadado metade da distância, o Raphael nos avisa que tem um tubarão vindo por trás de mim, eu me viro e ele vai embora novamente. Felizmente o Rafael conseguiu gravar essa cena e pudemos ver que haviam ao menos três deles nos rodeando e curiosos para saber que bichos eram aqueles, pois se quisessem mesmo nos atacar, teriam feito isso com facilidade.

De volta ao barco, ficamos à deriva aproveitando que as baleias estavam aparecendo com frequência, mas infelizmente a baleia-de-bryde não é exibida como a jubarte e não tem o costume de mostrar a cauda. De qualquer forma, é lindo ver apenas o dorso delas quando estão na superfície.

Baleia-de-bryde atacando um cardume de sardinhas

Depois que foram embora, o Cassiano ligou os motores e seguimos com o plano original, de procurar novos pontos para diferentes níveis de mergulhadores, e pelas fotos abaixo fica claro que fizemos excelentes mergulhos em meio a grandes cardumes de peixes pelágicos, muitas tartarugas extremamente mansas, moreias nadando fora de suas tocas e dezenas de espécies de peixes de todos os tamanhos e cores, confirmando a enorme biodiversidade da região e com visibilidade média de 20 metros.

Ilhas Filhotes, ótimo ponto para mergulhadores avançados

As tartarugas são tão calmas que até posam para uma selfie

Tartaruga tirando uma soneca sob uma gorgônia

Vimos muitas moreias, inclusive algumas fora da toca em plena luz do dia

Essa foi vista em um mergulho noturno

À noite haviam dezenas de coiós em uma área de poucos metros quadrados

Alessandro rodeado por um cardume de bonitos

A presença de grandes cardumes foi constante, como esse de pirajicas

Estrelas do mar e coral sol, que à noite se abre e mostra o motivo de seu nome

Casal de parus, também conhecidos como frades, posando para uma foto

Ilha da Âncora

O intervalo de superfície também rendeu boas imagens