Logo Chapada dos Veadeiros

     Junte praticantes de trekking, rapel, mountain-bike, canoagem e canyoning a místicos, antigos garimpeiros e alienígenas (como muitas pessoas afirmam), todos sobre uma imensa placa de quartzo. Pronto, você já tem uma pequena amostra da diversidade de freqüentadores da Chapada dos Veadeiros, no Nordeste de Goiás. E o melhor: todos convivem tranqüilamente entre si e com a exuberante fauna e flora local.

Seriema

Seriema

Chuveirinho

Chuveirinho

     Na verdade, confesso que não vi ET algum, mas várias pessoas me garantiram que se eu procurasse bastante, encontraria. Aliás, até um discoporto foi construído para os OVNIs poderem pousar com segurança, mas acho que Abril não é mês de férias interplanetárias, já que o estacionamento do discoporto estava vazio.

     Felizmente, não é preciso sorte para conhecer as grandes atrações da Chapada: as cachoeiras! São muitas e para todos os gostos. Grandes ou pequenas, com muita ou pouca água, boas para nadar ou para praticar canyoning… Se sua intenção for conhecer cachoeiras, esse é o lugar certo! Mesmo que você pertença à “tribo” dos preguiçosos, pode vir sem medo, pois algumas trilhas são curtas e fáceis.

 

São Jorge

     O local que escolhi como base foi o povoado de São Jorge, no município de Alto Paraíso de Goiás, um antigo vilarejo utilizado por garimpeiros à procura de cristais e ponto mais próximo da entrada principal do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

     As opções de hospedagem são muitas, desde ótimas pousadas a campings com preços bem acessíveis. Também há diversos restaurantes, lanchonetes e pizzarias, alguns funcionando com sistema self-service, ideal para acabar com a fome de um dia inteiro de caminhadas.

     Por sorte, cheguei no fim-de-semana anterior ao dia 23 de abril, quando os mais de 400 habitantes do povoado homenageiam São Jorge com festas, quermesse e muito forró! Sem dúvida, o melhor jeito de conhecer os costumes da região, além de ser o início da temporada seca, o que proporciona um clima agradável, vegetação bem verde e grande volume de água nas cachoeiras.

     Mesmo fora do Parque,  há muito o que se fazer. Aliás, mais do que dentro! Em vários locais não é obrigatório o acompanhamento do guia, mas como as atrações ficam em propriedades particulares, são cobradas pequenas taxas de visitação.

     Um dos locais mais bonitos e famosos de Goiás é o Vale da Lua, que ganhou esse nome por causa da erosão causada pelo Rio São Miguel em suas rochas, formando uma paisagem incrível, com diversas cachoeiras, túneis e lagos.

Vale da Lua

Vale da Lua

Vale da Lua

Vale da Lua

Araras-canindé no Vale da Lua

Araras-canindé no Vale da Lua

Vale da Lua

Vale da Lua

Vale da Lua

Vale da Lua

     Outros pontos que merecem ser visitados são Raizama, Morada do Sol e, principalmente, Almécegas, entre São Jorge e Alto Paraíso. São duas cachoeiras com trilhas distintas: o caminho para Almécegas I exige um pouco de condicionamento físico pois os morros são íngremes, mas o visual vale cada passo. É possível avistar a cachoeira de um mirante e descer até o lago, se quiser nadar, ou voltar e pegar a trilha para Almécegas II, que é bem curta e leve, perfeita para quem quer apenas relaxar.

Raizama

Raizama

Raizama

Raizama

     Após um dia de caminhadas, que tal descansar em piscinas de águas naturalmente quentes? Boa pedida, certo? Então pegue a estrada e vá para a Fazenda Éden, a poucos quilômetros de São Jorge, e dê um merecido descanso para suas pernas.

Fazenda Éden

Fazenda Éden

     Mas não pense que o dia acaba nessa moleza, já que é impossível deixar de subir (de carro mesmo) até o Mirante de São Jorge para ver o fantástico pôr-do-sol e seu céu incrivelmente estrelado, como provam as fotos abaixo.

Mirante de São Jorge

Mirante de São Jorge

Mirante de São Jorge

Mirante de São Jorge

Mirante de São Jorge

Mirante de São Jorge

Mirante de São Jorge

Mirante de São Jorge

     Uma trilha que merece ser percorrida, mesmo não tenho nenhuma bela cachoeira pra banho, é a que leva para o mirante Janela do Abismo. Essa trilha começa no mirante da Estrela, como o mirante de São Jorge também é conhecido, e faz um percurso circular com 9 km. Dependendo das chuvas pode haver uma pequena cachoeira boa pra matar o calor goiano, mas o atrativo mesmo é poder ver os Saltos do Rio Preto de frente, em uma posição bem melhor que a do mirante dentro do parque nacional que leva aos saltos.

 

Saltos do Rio Preto vistos da Janela do Abismo

Saltos do Rio Preto vistos da Janela do Abismo

Salto do Rio Preto (120 m) visto da Janela do Abismo

Salto do Rio Preto (120 m) visto da Janela do Abismo

 

Parque Nacional

     Criado em 1961 durante o governo de Juscelino Kubitschek, recebeu o nome de Parque Nacional do Tocantins e abrangia uma área de 625 mil hectares. Uma década depois teve seu nome alterado para o atual, que faz referência, ironicamente, aos caçadores que por lá andavam. Em pouco mais de 4 décadas, a área do parque foi diminuída por duas vezes mas novamente aumentada, possuindo agora 236 mil hectares.

     A visitação é rigidamente controlada e apenas uma pequena parte dele está aberta aos turistas, que sempre são acompanhados por guias credenciados, garantindo  o ótimo grau de preservação da área, considerada como Reserva da Biosfera pela UNESCO.

     São necessários apenas dois dias para conhecer as principais atrações que ficam dentro do Parque Nacional. A trilha que leva ao Salto do Rio Preto possui uma parte com relevo acidentado e é feita com 4 a 5 horas de caminhada, já contando o tempo da volta. São duas enormes cachoeiras, uma com 120 metros de queda, mas que só pode ser vista de um mirante e a outra, com “apenas” 80 metros, mas que nos permite entrar em seu lago.

Salto do Rio Preto visto do mirante parque nacional

Salto do Rio Preto visto do mirante do parque nacional

     A outra trilha é mais plana e leva para os Cânions e Cachoeira das Cariocas, uma larga queda d’água que forma um belíssimo lago cheio de piabas, pequenos peixes que ficam em volta dos banhistas. Outro animal facilmente encontrado nas pedras bem próximas da linha da água são as aranhas d’água, que ficam paradas esperando alguma presa mais distraída.

Cachoeira das Cariocas

Cachoeira das Cariocas

Canyon 2

Canyon 2

Canyon 2

Canyon 2

 

Alto Paraíso

     A cidade de Alto Paraíso de Goiás, às margens da GO-118, possui excelente infra-estrutura para os turistas, que podem escolher entre pousadas, hotéis na cidade ou hotéis-fazenda.

     Das cachoeiras mais próximas, as mais bonitas são as Cachoeiras dos Anjos e Arcanjos, dentro do Parque Solarion, e a Cachoeira da Água Fria, uma queda d’água com 100 metros de altura utilizada pelos praticantes de canyoning.

     Com acesso bem mais precário, as cachoeiras do Vale do Rio Macaco são a opção perfeita para os off-roaders ou para quem gosta de caminhar longas distâncias, pernoitando pelo caminho. Seja qual for sua opção, não deixe de contratar um guia no Centro de Atendimento ao Turista, pois existem inúmeras bifurcações e as chances de se perder são enormes!

     Vale lembrar que, tanto faz a trilha escolhida, deve-se ficar atento ao seu redor, pois o encontro com animais é comum. Emas, siriemas, tucanos, gaviões,  araras, lobos-guarás… Só não vi mesmo os veados-campeiros (os caçadores foram eficientes) e ETs, o que não deixa de ser uma boa desculpa para voltar.

Jardim de Maytrea, entre São Jorge e Alto Paraíso

Jardim de Maytrea, entre São Jorge e Alto Paraíso

2013-04-30-057a